Mãos que Moldam o Futuro:
O Legado de Transformação da Associação Dar a Mão
No cenário do ativismo social e da inovação tecnológica no Brasil, poucas iniciativas traduzem tão bem a conversão da dor em potência quanto a Associação Dar a Mão, fundada oficialmente em 30 de setembro de 2015 mas com atuação desde o nascimento da menina Dara, em 12/12/2013, que nasceu com agenesia de membro superior. O que nasceu do amor incondicional de uma mãe pela sua filha, Dara, expandiu-se e transformou-se em uma rede de acolhimento e alta tecnologia que hoje ampara mais de 5.000 famílias associadas em todo o território nacional, tendo sua sede fixada com orgulho em São João do Ivaí, no Paraná.
No coração desse ecossistema de solidariedade está uma liderança multifacetada. A fundadora da instituição, Geane Poteriko, não é apenas uma gestora social; ela personifica o encontro perfeito entre a ciência, a educação e a empatia. Como professora, ela compreende o desenvolvimento infanto-juvenil e a importância da inclusão no ambiente escolar como base para a dignidade. Como fisioterapeuta com experiência em protetização infantil, ela traz o olhar clínico preciso para a funcionalidade, o alinhamento corporal e a reabilitação motora. Movida pelo desejo de ir além das soluções tradicionais do mercado, ela se tornou pesquisadora em tecnologia assistiva, dominando e coordenando o laboratório de impressão 3D da sede nacional.A Revolução da Tecnologia Assistiva Democrática
O grande diferencial da Associação Dar a Mão, sob essa liderança científica e humanizada, foi a democratização do acesso a dispositivos de reabilitação. Próteses e adaptadores funcionais convencionais têm custos inacessíveis para a maior parte das famílias brasileiras e tornam-se obsoletos rapidamente devido ao crescimento acelerado das crianças.
Unindo o conhecimento em fisioterapia com a engenharia da impressão 3D, o laboratório coordenado por ela desenvolve soluções personalizadas de baixo custo e alta eficiência. Cada filamento de plástico que ganha forma nas impressoras 3D da sede da Associação Dar a Mão em São João do Ivaí não representa apenas um ganho mecânico; representa a possibilidade de uma criança alcançar maior autonomia em suas atividades da vida diária, como andar de bicicleta com os amigos, comer sozinha ou abraçar quem ama. A tecnologia assistiva aqui deixa de ser um conceito abstrato de laboratório e passa a ser uma ferramenta viva de inclusão diária.
O Impacto na Sociedade: Além da Prótese 3D, o Acolhimento
O impacto do trabalho da Associação Dar a Mão na sociedade ramifica-se em três pilares fundamentais:
1. A Despatologização e o Combate ao Capacitismo: Ao colocar dispositivos 3D coloridos, temáticos e lúdicos nos braços de milhares de crianças, a associação inverte a lógica do preconceito. A deficiência visualmente deixa de ser um tabu e passa a ser vista sob a ótica da motivação e da inovação. As crianças passam a ter orgulho de suas “mãos de super-heróis”, fortalecendo a autoestima desde a primeira infância.
2. O Suporte Integral à Maternidade Atípica: Sabendo exatamente o peso da jornada de uma mãe solo e atípica, a fundadora Geane Poteriko garantiu que a associação fosse, acima de tudo, um porto seguro para as famílias. O atendimento que hoje alcança mais de 5 mil lares oferece orientação na inclusão em diferentes áreas, como jurídica, educacional, acolhimento psicológico e a certeza de que nenhuma mãe ou pai caminhará sozinho após o diagnóstico de uma deficiência congênita ou amputação.
3. Construção de Políticas Públicas e Consciência Coletiva: A atuação da associação ecoa nos conselhos municipais, nas assembleias legislativas e nas salas de aula. Ao dar voz e visibilidade à Pessoa com Deficiência (PCD), o trabalho liderado por Geane Poteriko na Associação Dar a Mão educa a sociedade, transforma escolas em ambientes genuinamente inclusivos e prova que a acessibilidade é um direito inegociável, e não uma concessão.
O Valor do Exemplo
A história da Associação Dar a Mão é o reflexo de sua idealizadora: a mãe de Dara, uma mulher que, mesmo enfrentando suas próprias e graves limitações físicas decorrentes de um trauma do passado, um grave acidente de carro que resultou em 15 cirurgias e uma longa luta pela recuperação, Geane Poteriko escolheu se levantar todos os dias para garantir a renda de sua casa e, nas horas que lhe sobram, alimentar a esperança de milhares de pessoas por meio de seu trabalho voluntário na Associação Dar a Mão.Hoje, como pessoa com deficiência e ativista, Geane Poteriko mostra ao Brasil que a tecnologia mais potente do mundo não é o software que projeta a prótese, nem a máquina 3D que a imprime, mas sim a capacidade humana de estender a mão para transformar o destino do outro. A Associação Dar a Mão não entrega apenas dispositivos protéticos 3D; ela devolve o direito ao futuro inclusivo.
